Thursday, January 2, 2014

Londres ergue barreiras para travar imigrantes romenos e búlgaros




Cameron quer endurecer regras já que ontem terminou o limite à circulação de búlgaros e romenos na UE.
Para perceber melhor o que o Reino Unido pode esperar quando abrir as fronteiras a cidadãos romenos em busca de emprego, já este mês, talvez seja boa ideia dar um salto a Itália, país que acolhe mais de um milhão de romenos e ao qual já chamam a sua "nova província no estrangeiro". O mais recente relatório da OCDE sobre migrações estima que cerca de 3,5 milhões de romenos - cerca de um terço da população total - trabalham no estrangeiro. Os números oficiais apontam para um milhão de romenos registados em Itália, mas estima-se que outro tanto entre e saia do país na qualidade de trabalhadores sazonais.
Entre 2006 e 2007, ano em que a Roménia aderiu à União Europeia (UE), a população romena em Itália praticamente duplicou, apesar de o fluxo ter diminuído nos últimos anos na sequência da mais longa recessão do pós-guerra. A sua presença é bastante visível: mais de 200 igrejas ortodoxas, um canal de televisão em língua romena e até um partido político num contexto de discriminação social e racismo. "A comunidade é tão grande que merece atenção especial. Muitos têm projectos de vida em Itália", realça Giancarlo Germani, líder do Partido Romenos em Itália, fundado em 2010.
Os comentários surgiram na sequência do debate muito politizado no Reino Unido com o fim das restrições da UE que, até esta semana, impediam a entrada de romenos e búlgaros em busca de trabalho em território britânico. A aproximação da data alimentou profecias de todo o género, como aquela que diz que uma vaga de imigrantes do Leste europeu vai atolar o Reino Unido. David Cameron, primeiro-ministro britânico, reagiu cortando nos benefícios sociais e reforçando as deportações.
Segundo dados da Caritas Itália relativos a 2010, os romenos "deram um importante contributo para o sistema fiscal e Segurança Social, e tencionam entrar no mercado através dos trabalhos mais humildes e perigosos". A instituição estima que, em 2008, os romenos em Itália pagaram 1,7 mil milhões de euros em contribuições sociais e mil milhões em impostos, e confirma que "as remessas de Itália ultrapassaram os níveis de investimento directo estrangeiro". O total de remessas através de canais oficiais terá rondado os 768 milhões de euros em 2008 - ou três vezes mais incluindo canais oficiosos.
A esfera política também passou a estar na sua mira. O Partido Romenos em Itália conta com cerca de dez mil filiados e conseguiu eleger dois vereadores em cidades do norte de Itália. Emma Bonino, a ministra italiana dos Estrangeiros e europeísta convicta, quando questionada sobre os receios do primeiro-ministro britânico face à imigração romena, comentou: "É possível que um país tenha de atravessar um período de transição. A UE não é só sobre circulação de bens e capital. Se os cidadãos da União não tiverem mobilidade, como é que vamos construir uma Europa unida?". 

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