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Atuante na Síria, o Estado Islâmico do Iraque e Levante comanda cidades e comete abusos
Rebeldes e militantes na Síria, envolvidos há quase três anos em uma guerra contra o regime de Bashar al Assad, lançaram esta semana uma "segunda revolução", desta vez contras os jihadistas ligados à Al Qaeda, ao qual acusam dos piores abusos.
Desde sexta-feira (3), violentos confrontos foram registrados entre três coalizões rebeldes e o Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), um grupo que até pouco tempo era aliado à rebelião contra as forças do presidente Assad.
Sinal da expansão do conflito sírio nos países vizinhos, este mesmo grupo extremista sunita acaba de tomar o controle da cidade iraquiana de Falluja — após intensos combates com as forças governamentais — e de reivindicar um ataque no Líbano contra um reduto do Hezbollah, partido xiita que combate ao lado do regime sírio.
Na Síria, ante a multiplicação dos sequestros e decapitações atribuídas pelos rebeldes sírios ao EIIL, incluindo o recente assassinato de um médico rebelde, os batalhões de insurgentes declararam uma guerra aberta ao grupo extremista.
O Exército dos Mujahedines, uma nova aliança de rebeldes, começou a combater na sexta-feira o EIIL, acusado "de sequestrar, torturar e matar combatentes [rebeldes] e ativistas".
As acusações são reiteradas pela oposição política à Assad, que anunciou neste sábado seu "apoio total" às tentativas dos rebeldes de "libertar as cidades oprimidas pelo autoritarismo do EIIL", que é acusado de "roubar" a revolução contra Assad.
Além do Exército dos Mujahidenes, a Frente Islâmica — a mais poderosa coalizão rebelde na Síria — e a Frente dos Revolucionários da Síria, também entraram no combate.
Nas Províncias de Aleppo e Idlib (norte e noroeste da Síria), ao menos 36 combatentes membros ou próximos do EIIL foram mortos e cerca de 60 outros foram capturados pelos rebeldes desde sexta-feira, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que relata que ao menos 17 rebeldes morreram nesses combates.
"São os confrontos mais violentos entre as duas partes. Trata-se de um ataque organizado dos rebeldes contra os postos do EILL" nessas regiões, explicou o OSDH.
Posição de Assad
O regime sírio sempre afirmou que combate "terroristas extremistas", sem fazer distinção entre opositores políticos, combatentes rebeldes e jihadistas.
Mas com esta nova frente de batalha entre extremistas e rebeldes, os militantes comemoraram esta "segunda revolução", em que desejam combater ao mesmo tempo o poder de Damasco e o "terror" imposto pelo EIIL, que adota uma visão extremista do Islã.
"A revolução voltou para o seu caminho correto", comentou Ibrahim al Idelbi, um ativista em Idlib em sua página do Facebook. "3 de janeiro de 2014: início da revolução contra o EIIL", escreveu por sua vez Ammar, um militante da região costeira de Latakia.
"As pessoas estão cheias do EIIL", afirmou Abou Leila, outro militante de Idlib. "Eles tomaram estradas que antes estavam nas mãos dos rebeldes antes de se retirarem, deixando o caminho livre para o Exército".
A oposição também acusou recentemente o EIIL de coalisão com Damasco, considerando que o grupo jihadista, inicialmente bem visto porque era organizado e armado, serve aos interesses do regime.
O grupo, que milita abertamente por um Estado Islâmico na Síria e que é particularmente forte em Raqa (norte), é acusado de impor o uso do véu islâmico em algumas regiões rebeldes, de prender centenas de militantes ou personalidades, como o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio, e ainda de decapitar cidadãos comuns acusados de blasfêmia.
Em Aleppo, a metrópole do norte, muitos manifestantes saíram na sexta-feira e neste sábado às ruas para denunciar este grupo e o poder em Damasco.
"Vamos esmagar o EIIL e Assad", gritavam os manifestantes. Ao mesmo tempo, em Genebra, a organização Médicos Sem Fronteira (MSF) anunciou que cidadãos belga, dinamarquês, peruano, sueco e suíço estão entre os cinco funcionários sequestrados por um grupo desconhecido no norte da Síria.
Paralelamente, o principal bloco da oposição no exílio anunciou que não participará da conferência de paz que deve iniciar em 22 de janeiro na Suíça. O Conselho Nacional Sírio (CNS) se recusa a negociar antes de obter garantias da saída do poder do presidente Assad.
"Os rebeldes no terreno também rejeitam negociações sem esta pré-condição", afirmou um membro do CNS, Samir Nachar.
— Isso significa que esta conferência não irá acontecer.
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