Tuesday, December 24, 2013

Ucrânia recebe 3 bilhões de dólares de acordo com a Rússia

Putin (d) e Yanukovych conversam no Kremlin durante a assinatura do acordo


Yanukovych e Putin conversam no Kremlin durante a assinatura do acordo (Alexander Nemenov/AFP)
A Ucrânia recebeu nesta terça-feira 3 bilhões de dólares da primeira parcela do plano de resgate financeiro concedido pela Rússia na semana passada, anunciou o governo ucraniano.
"Neste dia, 24 de dezembro, o Banco Nacional da Ucrânia recebeu a primeira parcela dos recursos prometidos pela Rússia, num montante de 3 bilhões de dólares", afirmou o gabinete do primeiro-ministro Mykola Azarov. "A entrega desta primeira parcela é um fator de estabilização para nós."
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A Rússia investirá 15 bilhões de dólares (34,7 bilhões de reais) em bônus da dívida pública ucraniana. Além disso, rebaixou em 30% o preço do gás que vende ao país. Os documentos assinados no último dia 17 incluem ainda um pacto para solucionar disputas comerciais entre os dois países, uma parceria para atualizar um modelo de avião de transporte da era soviética, um acordo de cooperação industrial e um projeto para a construção de uma ponte sobre o Estreito de Kerch – ao norte do Mar Negro, entre Ucrânia e Rússia.
A oposição ucraniana considera que o governo está vendendo o país à Rússia. Nas últimas semanas, milhares foram às ruas em protesto contra a aproximação com Moscou e em favor de um acordo com a União Europeia (UE).


Cronologia dos protestos na Ucrânia

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A recusa ucraniana - 29 de novembro

O presidente ucraniano, Viktor Yanukovych (esq), ao lado do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz
A União Europeia (UE) não conseguiu convencer a Ucrânia a assinar um acordo selando sua aproximação com o Ocidente, em função da pressão de Moscou, o que constitui uma derrota para os europeus. No final da terceira cúpula da Parceria Oriental entre a UE e seis ex-repúblicas soviéticas - Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Bielo-Rússia, Armênia e Azerbaijão - os resultados foram aquém do esperado. Somente Moldávia e Geórgia assinaram o acordo. O presidente ucraniano Viktor Yanukovych explicou que, antes de firmar um acordo, Kiev necessita "de um programa de ajuda financeira e econômica" da UE. "Não se pode, tal e como quer o presidente ucraniano, pedir que paguemos para que a Ucrânia entre nesta associação", retrucou François Hollande, presidente da França. Saiba mais sobre por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia.

História: Ucrânia, um país com um histórico de tragédias
Em novembro, esse acordo esteve próximo de ser assinado em Vilna, capital da Lituânia. Ele era negociado havia cinco anos, e a UE investiu milhões de euros em favor da modernização política e econômica do país de 46 milhões de habitantes. A pressão russa, no entanto, foi eficaz. O país governado por Vladimir Putin encoraja Kiev a participar de uma união tarifária com Rússia, Bielo-Rússia e Cazaquistão.


Os interesses de UE e Rússia no duelo pela Ucrânia

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Os interesses da União Europeia

A UE negociou durante anos uma aproximação com seis ex-repúblicas soviéticas – Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Bielo-Rússia, Armênia e Azerbaijão – mas teve suas expectativas frustradas com a não adesão dos principais países ao acordo que é chamado de Parceria Oriental. Mesmo assim, não abandonou a ideia de atrair o sexteto, para distancia-lo da Rússia. Além disso, a parceria poderia ser cozinhada em banho-maria para postergar ao máximo a integração total dos países ao bloco europeu, como aponta Rainer Schweickert, especialista em leste europeu do Instituto de Economia de Kiel, na Alemanha.
Concebido em 2008, o acordo propõe vantagens econômicas e comerciais para os países do leste, que abririam seu mercado consumidor para os produtos e serviços da UE. Os europeus, por sua vez, também teriam acesso a setores estratégicos da economia ucraniana, como tecnologia bélica e aeroespacial de ponta, extração de minério de ferro e produção de aço (o principal produto de exportação de Kiev). Em contrapartida, o bloco oferece apoio técnico para a consolidação de "valores comuns como a democracia, o Estado de Direito e o respeito pelos direitos humanos, assim como os princípios da economia de mercado, o desenvolvimento sustentável e a boa governança”, como diz o texto fundador da Parceria Oriental.
“Para a UE, o acordo é uma maneira de criar um ambiente mais seguro no Oriente sem ter que admitir alguns desses Estados como membros efetivos. Os países do Oriente ganhariam garantias de Estado de Direito, respeito aos direitos humanos e democracia. Nada mal para alguns deles, que vivem ‘quase ditaduras’ sob o imperialismo russo e com crescimento econômico limitado”, explica Vedung.

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