Saturday, December 14, 2013

De olho no apoio de sindicalistas, Eduardo Campos defende pauta do setor

RECIFE, PE, 13 de dezembro (Folhapress) - 


Em almoço com representantes de confederações de trabalhadores e centrais sindicais, o governador de Pernambuco e provável candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB), aderiu à bandeira dos sindicalistas de acabar com o fator previdenciário e acusou o governo Dilma Rousseff de não priorizar o assunto. 
O fator previdenciário é um mecanismo instituído em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com o objetivo de desestimular aposentadorias precoces. Para o governo federal, sua extinção causaria desequilíbrio nas contas da previdência. 
"Houve R$ 140 bilhões de desoneração [fiscal de 2010 a 2013]. O impacto do fim do fator previdenciário seria de R$ 3 bilhões, segundo as últimas negociações com os sindicatos. Está aí claro que não houve uma priorização para isso", disse Campos. 
"Eu teria feito desonerações também, mas teria priorizado o [fim do] fator previdenciário, porque isso vai direto para a renda e iria animar o consumo", completou. 
Compareceram ao encontro no Recife dirigentes da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores), Nova Central e Força Sindical, além de representantes de 14 confederações de vários setores, como indústria, comércio, saúde, alimentação, químicos, agricultura, bancos e policiais civis e rodoviários federais. 
A Força Sindical é ligada ao deputado Paulo Pereira da Silva (SDD), próximo a outro candidato ao Planalto, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB). 
O grupo, de cerca de 80 sindicalistas, apresentou no início do encontro uma pauta que incluía temas gerais, como erradicação do trabalho infantil, redução da jornada e previdência. A única bandeira explorada por Campos foi a do fim do fator previdenciário. 
Apesar disso, o que mais repercutiu entre os dirigentes sindicais após o almoço foi a "disposição ao diálogo" reiterada por Campos em discurso. 
"[O encontro] foi fundamental para abrir um canal de diálogo com os sindicatos, e ele [Campos] se mostrou disposto", afirmou o representante da Confederação Nacional do Turismo, Antônio Diogo dos Santos. 
O almoço, convocado pelo braço sindical do PSB, partido presidido pelo governador pernambucano, tinha o objetivo de pedir aos sindicalistas contribuições para o programa de governo do partido, ainda em formulação. 
Segundo Campos, o programa de governo do PSB e da Rede, de sua aliada Marina Silva, terá suas diretrizes apresentadas em janeiro e será concluído até julho. 
Durante mais de 30 minutos, o governador se apresentou aos sindicalistas como alternativa capaz de acabar com a polarização entre o PT e o PSDB, criticou o baixo crescimento do PIB --de 1% em 2012--, falou em "novo pacto social" e na necessidade de criar um ambiente seguro para os investidores, a fim de retomar o crescimento econômico dos anos 2000. 
"O Brasil hoje vive uma crise de expectativa, porque as pessoas têm dificuldade de saber para onde o governo estava indo. A impressão dos grandes investidores é que o país está andando de lado", disse Campos. 
"A sociedade não aceita mais o pacto político de Brasília", afirmou. "Nenhuma das outras forças pode dar ao brasileiro a segurança de que o país vai melhorar." 
Doações 
Campos afirmou que é a favor de proibir as doações de empresas para campanhas políticas, medida em votação no STF (Supremo Tribunal Federal). Disse ainda que a medida favorece partidos com menor "estrutura", como o seu. 
"Tudo o que vier a diminuir a presença do dinheiro na campanha política ajuda as forças políticas como a nossa, que nunca tiveram estrutura para fazer exatamente a campanha", disse. "Eu torço para que isso ganhe força e crie um grande debate para uma reforma [política] sistêmica. Mas, ao lado disso, tem que vir também um forte processo de repressão ao caixa dois e ao dinheiro sujo na campanha", acrescentou. 
Quatro dos 11 ministros do STF já consideraram que as doações feitas por empresas, principais financiadoras dos candidatos, são inconstitucionais. 
O julgamento foi interrompido ontem por um pedido de vista feito pelo ministro Teori Zavascki, o que pode adiar a conclusão do processo para o ano que vem.  

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