Em almoço com representantes de confederações de trabalhadores e centrais sindicais, o governador de Pernambuco e provável candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB), aderiu à bandeira dos sindicalistas de acabar com o fator previdenciário e acusou o governo Dilma Rousseff de não priorizar o assunto.
"Eu teria feito desonerações também, mas teria priorizado o [fim do] fator previdenciário, porque isso vai direto para a renda e iria animar o consumo", completou.
A Força Sindical é ligada ao deputado Paulo Pereira da Silva (SDD), próximo a outro candidato ao Planalto, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB).
Apesar disso, o que mais repercutiu entre os dirigentes sindicais após o almoço foi a "disposição ao diálogo" reiterada por Campos em discurso.
"[O encontro] foi fundamental para abrir um canal de diálogo com os sindicatos, e ele [Campos] se mostrou disposto", afirmou o representante da Confederação Nacional do Turismo, Antônio Diogo dos Santos.
O almoço, convocado pelo braço sindical do PSB, partido presidido pelo governador pernambucano, tinha o objetivo de pedir aos sindicalistas contribuições para o programa de governo do partido, ainda em formulação.
Segundo Campos, o programa de governo do PSB e da Rede, de sua aliada Marina Silva, terá suas diretrizes apresentadas em janeiro e será concluído até julho.
Durante mais de 30 minutos, o governador se apresentou aos sindicalistas como alternativa capaz de acabar com a polarização entre o PT e o PSDB, criticou o baixo crescimento do PIB --de 1% em 2012--, falou em "novo pacto social" e na necessidade de criar um ambiente seguro para os investidores, a fim de retomar o crescimento econômico dos anos 2000.
"O Brasil hoje vive uma crise de expectativa, porque as pessoas têm dificuldade de saber para onde o governo estava indo. A impressão dos grandes investidores é que o país está andando de lado", disse Campos.
"A sociedade não aceita mais o pacto político de Brasília", afirmou. "Nenhuma das outras forças pode dar ao brasileiro a segurança de que o país vai melhorar."
Doações
Campos afirmou que é a favor de proibir as doações de empresas para campanhas políticas, medida em votação no STF (Supremo Tribunal Federal). Disse ainda que a medida favorece partidos com menor "estrutura", como o seu.
"Tudo o que vier a diminuir a presença do dinheiro na campanha política ajuda as forças políticas como a nossa, que nunca tiveram estrutura para fazer exatamente a campanha", disse. "Eu torço para que isso ganhe força e crie um grande debate para uma reforma [política] sistêmica. Mas, ao lado disso, tem que vir também um forte processo de repressão ao caixa dois e ao dinheiro sujo na campanha", acrescentou.
Quatro dos 11 ministros do STF já consideraram que as doações feitas por empresas, principais financiadoras dos candidatos, são inconstitucionais.
O julgamento foi interrompido ontem por um pedido de vista feito pelo ministro Teori Zavascki, o que pode adiar a conclusão do processo para o ano que vem.
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